domingo, 18 de setembro de 2011

Utopia

"A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".


Eduardo Galeano

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dia do Estudante

Hoje, 11 de agosto é comemorado o dia do estudante. Penso que esse dia deveria ser comemorado de forma diferente, com estudantes manifestando nas ruas, protestando contra as injustiças sociais cometidas contra os jovens, sobretudo, os das classes populares. Protesto contra a Homofobia, contra o Racismo, contra toda e qualquer forma de discriminação. Um protesto PELA PAZ.

PAZ PELA PAZ, como disse Nando Cordel em sua música.

No entanto, sei que não temos ainda uma organização social e política que dê conta destes protestos ou manifestações. Mas acredito que diariamente podemos fazer essas "manifestações" (de forma diferente), através de atitudes positivas em relação ao outro e a si mesmo.

A paz começa em cada um de nós. Pode até parecer um jargão, mas acredito muito nisso. Acredito na ideia de que podemos fazer a diferença no mundo respeitando uns aos outros, respeitando o meio em que vivemos, respeitando a nós mesmos. E isso não significa "ser vaquinha de presepio". Significa agir diferente, lutar com outras armas para fazer um mundo novo.

"Vem vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe, faz a hora não espera acontecer..." (Geraldo Vandré).

Desejo muita reflexão neste dia do estudante. Façamos acontecer a revolução agora mesmo...

Saudações Sociológicas!!!!

Fabíola Cerqueira

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Por relações mais democráticas nos espaços públicos

No dia 06 de julho de 2011, foi realizada na Assembléia Legislativa do Espírito Santo, uma sessão especial para discutir a temática "Violência escolar e o fenômeno bullying", com a especialista Cleo Fante. A proponente desta sessão foi a deputada Solange Lube.

Estive lá e realmente a palestra da professora Cléo Fante foi esclarecedora. A pesquisadora contribuiu rompendo com o discurso do senso comum que aponta que qualquer situação de conflito se configura como bullying, o termo da moda. O tema foi apresentado com simplicidade e clareza. Acredito que os estudantes presentes conseguiram acompanhar e esclarecer suas dúvidas em relação à temática.

No entanto, não pude deixar de me frustar, pois, na minha avaliação, houve vários equívocos na condução dos trabalhos. Em primeiro lugar, em relação ao desrespeito ao público presente (alunos, professores, coordenadores, diretores, etc) que foram convidados para uma sessão às 14h que se iniciou próximo das 15h.

Em segundo, num momento que se propõe a ser democrático, o tempo de escuta e de fala deveriam ser equilibrados. Um assunto importante como o que foi tratado na referida sessão não poderia ser "debatido" com questões objetivas, sem contextualização, sem problematização. Na verdade, não houve debate e sim uma "escolha" das perguntas as quais seriam respondidas pela professora Cléo Fante.

Por que minha indignação? Pois bem, vamos aos fatos. Nos foi entregue a cópia da lei que institui o dia de conscientização contra o bullying (Lei Nº 9.653/2011, D.O. de 29/04/2011). A deputada Luzia Toledo nos solicitou idéias sobre o que fazer para "comemorar" este dia ano que vem. A conscientização contra o bullying deve ser diária e insistente. Sei que a data é simbólica, mas receio que mais uma data simbólica seja criada, como já acontece com a consciência negra, o dia internacional das águas e por aí vai. Não precisamos de ações pontuais. Isso nós já fazemos. A representante da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Espirito Santo (SEDU) disse que os professores recebem capacitação e isso não é verdade. Se há ação na escola sobre este tema, se há formação é porque as escolas, de forma pontual, realizam. Não há uma intencionalidade institucional.

A professora Cleo Fante falava da participação da comunidade escolar na construção de regras coletivas (foi isso que entendi), mas a SEDU impõe um Regimento Comum a todas as escolas da Rede Estadual, desconsiderando as especificidades.

Não seria ali, naquela sessão, na presença daqueles sujeitos, um espaço oportuno para dialogar sobre todas essas questões?

Outra questão: A Deputada Solange Lube disse que, juntamente com o Deputado Da Vitória, por comporem a Comissão de Educação, tem tido a oportunidade de conhecer melhor as escolas e as superintendências do Estado. Nossos jovens ficam 5 horas na escola, sentados em cadeiras desconfortáveis, em ambientes depredados, o que os desmotivam, inclusive a acreditar que é possível mudar. A proposta de uma cultura de paz pressupõe uma cultura de direitos humanos que deve garantir educação de qualidade que passa por espaço físico adequado para que os jovens fiquem por mais tempo na escola, assim como valorização profissional, o que inclui formação em serviço.

Poderiamos ter debatido ali, como implantar uma cultura de paz nas nossas escolas. A professora Cleo Fante deu os passos, os caminhos, mas trilhá-los sem comprometimento político não é possível, pois a escola sozinha não dá conta. Aém disso, os tempos/espaços da escola são rígidos e dificultam algumas ações.

Como professora de Sociologia da EEEFM Aristóbulo Barbosa Leão, localizada no município de Serra, tenho tido experiências muito positivas com os alunos, no entanto, sei que há muito o que fazer. Sei que a cultura de paz não é construída de um dia para o outro. Não é milagre. É um fazer diário. Criei um blog para dialogar com os jovens alunos sobre esse e outros temas (sociologiaabl.blogspot.com).

Sou também pesquisadora na área de violência escolar. Defendi minha dissertação de mestrado ano passado e acredito que foi na pesquisa de campo, com jovens, que aprendi a ser professora. Gostaria muito de dialogar sobre essas e outras questões, com aqueles que compartilham comigo  o interesse pela educação, pelos direitos humanos, por uma cultura de paz e por uma valorização dos nossos jovens.

Fica aqui o desabafo, já que ontem não pude me manifestar na referida sessão. Me neguei a fazer uma pergunta objetiva, superficial, sobre uma questão que merece DEBATE. Debate é ação sem a qual uma sociedade democrática não pode abrir mão. Diálogo pressupõe fala e escuta.... e aí, vamos dialogar?


domingo, 5 de junho de 2011

Movimento estudantil em Vitória/ES (1)

A todo momento temos acesso a textos, entrevistas, fotos, vídeos e opiniões diferentes a respeito das recentes manifestações dos estudantes na cidade de Vitória/ES.

Segue o link para o texto "O Movimento Estudantil da UFES é nota 10!!... O DCE-UFES nota ZERO!", de Ricardo Tristão: http://blogdoricardotristao.blogspot.com

Precisamos estar atentos aos discursos midiáticos que tentam a todo custo manipular a opiião pública contra a manifestação dos estudantes, desqualificando o movimento estudantil.

Conflitos da polícia com a sociedade: as formas de controle social sobre as ações policiais

Veja abaixo reportagem especial publicada no Gazetaonline:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/06/noticias/especiais/871411-conflitos-da-policia-com-a-sociedade-as-formas-de-controle-social-sobre-as-acoes-policiais.html

sábado, 4 de junho de 2011

Estudantes são violentamente reprimidos por Batalhão de Missões Especiais em manifestação pela redução da passagem em Vitória (ES)

Por Luciana Silvestre Girelli*

“No dia 02/06, Vitória vai parar”. Essa era a frase colada nos pontos de ônibus de Vitória (ES), há cerca de dois meses, pelo Movimento Passe Livre (MPL) e organizações estudantis, anunciando o dia de luta pela redução do preço da passagem e pelo passe livre. Confirmando o indicativo, na manhã de ontem, os estudantes iniciaram os protestos fechando as vias de acesso ao Centro de Vitória, em frente ao Palácio Anchieta, e foram violentamente retirados pelo Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar.

As manifestações pela redução da passagem e em protesto contra a repressão policial continuaram no período da tarde, na Avenida Fernando Ferrari, em frente à Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Cerca de 200 estudantes protestavam na avenida, quando o BME atirou bombas e balas de borracha, atingindo as pessoas que estavam nas dependências do campus da Ufes, incluindo prédios de salas de aula, o Teatro Universitário e o Centro de Vivência. Muitos estudantes sofreram ferimentos e tiveram que ser hospitalizados.

De acordo com o integrante do Diretório Central dos estudantes da UFES, Vitor César Noronha, a pauta que estava focada no movimento estudantil se expandiu para toda a sociedade, pois o governo do Estado promoveu uma série de ações violentas contra os movimentos sociais, o que se explicitou no ato de ontem. Ele também reiterou que, a partir de agora, o movimento vai reivindicar a liberdade de organização e a desmilitarização da polícia. “Acreditamos que deve haver uma intervenção no ES, devido às ações de desrespeito aos diretos humanos e à Constituição Federal”, falou Vitor.

“Estive na manifestação e percebi a tropa de choque ensandecida. Não foi a primeira vez que a polícia atacou os movimentos sociais dessa forma, o que é muito grave”, afirmou o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Gilmar Ferreira. Ele disse também que o Estado tem consolidado a prática de violação de direitos humanos e que o governo estadual precisa abrir o diálogo com os movimentos sociais.

Para o advogado e integrante do Conselho Estadual da Criança e Adolescente, André Moreira, foi utilizada uma força muito além da necessária para conter o protesto. “O governo estadual escolheu a pior forma de resolver o problema, que foi pelo uso da violência. Ele deveria ter aproveitado a pauta dos estudantes para solucionar o problema do transporte público no Espírito Santo”, opiniou André.


Ufes é bombardeada pela Polícia Militar. Após a violenta repressão contra os estudantes em frente ao Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, o BME atirou bombas e balas de borracha contra os estudantes que paralisavam a Avenida Fernando Ferrari, em frente à UFES, na tarde de ontem. Mesmo após os estudantes terem deixado a pista, o BME continuou atirando para dentro do campus universitário.

“A gente estava na rua fazendo movimento pacífico, quando o choque jogou bombas de gás. A Ufes parecia um campo de guerra. Muita gente que nem estava na manifestação se machucou”, registrou a estudante de Ciências Sociais da Ufes,  Macely Schun.

Conforme depoimento do professor do Departamento de Matemática, Leonardo Meireles Câmara, o BME jogou diversas bombas do lado de fora da universidade, atingindo diversas pessoas. “Eu disse que eles estavam cometendo um crime federal e que não poderiam adentrar para a universidade. Falei que era professor e eles me ameaçaram, apontando a arma em minha direção”, relatou Leonardo. Ele reiterou que é necessário punir os responsáveis pelo ocorrido e que a universidade deve entrar com as medidas cabíveis.

De acordo com a professora do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento, Mariane Lima de Souza, no momento dos ataques do BME, estava ocorrendo uma sessão de filmes infantis para crianças de 3 a 6 anos, de várias escolas de Vitória, no Teatro Universitário. “As crianças não sabiam o que estava acontecendo e um funcionário do teatro estava recebendo um número grande de pais e professores que estavam desesperados, pois não sabiam se saíam do espaço com as crianças ou permaneciam no local”, relatou a professora. Ela disse que ficou assustada com o despreparo da polícia para lidar com essa situação e afirmou que é inadmissível pensar em ações de extrema violência em espaço de grande circulação de pessoas.
Em nota oficial, o reitor em exercício da UFES, Reinaldo Centoducate, afirmou que o episódio entre o BME e os manifestantes acabou causando conseqüências para estudantes, servidores técnicos, professores e visitantes que passavam na área do campus e que não tinham qualquer participação no evento. Para a Administração Central da UFES, o campus da universidade, seus professores, servidores, estudantes e visitantes, não podem sofrer conseqüências físicas e morais diante de um episódio ocorrido numa via pública.

Estudantes são encurralados nas calçadas e retirados de dentro dos ônibus pelo BME. Após a violenta repressão em frente à universidade, os estudantes caminharam em direção ao pedágio da Terceira Ponte, que já havia sido fechada com cerca de 100 policiais. O BME partiu em direção aos manifestantes que foram encurralados nas ruas e calçadas. “Ficamos cercados pelo BME por todas as ruas. De um lado, havia o batalhão de choque, de outro, havia a cavalaria e ainda tinha as bombas e sprays de pimenta”, relatou o estudante de Ciências Sociais da UFES, Fernando Leal.

Para se refugiar da ação violenta, muitos estudantes entraram nos ônibus, mas alguns foram retirados à força e presos. “A cavalaria da polícia veio em direção aos estudantes para prender e não para dispersar. Os estudantes foram algemados e presos e sofreram várias violações de direitos humanos”, afirmou a assistente social que participava da manifestação, Camila Valadão. No final do dia, cerca de 27 estudantes haviam sido presos, mas foram liberados durante a madrugada devido à pressão do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CDDH) e de advogados parceiros dos movimentos sociais.


Movimento estudantil organizado e movimentos sociais integram manifestações na cidade. Ao contrário do que a mídia local tem repercutido, o movimento pela redução da passagem é integrado por diversas organizações estudantis, incluindo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFES, vários Centros e Diretórios Acadêmicos, executivas e federações de curso e o Movimento Passe Livre (MPL). “Várias organizações e movimentos sociais estão na luta pela redução da passagem, pois essa é uma pauta de interesse de toda a sociedade”, afirmou o diretor de Articulação do DCE da UFES, Raphael Sodré.

Além disso, esse movimento conta com o apoio de diversos movimentos sociais no Espírito Santo. Até o momento, já manifestaram apoio a essa luta o Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Movimento Nacional dos Direitos Humanos, UNEGRO- ES, Movimento Terra e Liberdade, Consulta Popular, Círculo Palmarino, Assembléia do Movimento Negro, Sindicato dos Jornalistas do Estado do Espírito Santo, Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sindicato dos Bancários do ES, André Moreira - presidente do Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente, Fórum Juventude Negra, Comissão de Direitos Humanos da OAB, Intersindical Nacional, Força Sindical, Diretório Central dos Estudantes da UFES, Adufes.


Melhoria do transporte público é a pauta de fundo do movimento. Além da redução do preço da passagem e do direito ao passe livre, o movimento traz para a pauta da sociedade o debate sobre o transporte público e da mobilidade urbana. “A questão de fundo do movimento é a qualidade do transporte urbano, o que reflete diretamente na qualidade de vida da população urbana”, falou o secretário geral do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, Carlos Araújo. Ele reiterou que essa pauta ganhou a sociedade na medida em que os estudantes foram à rua por um projeto alternativo de transporte, o que não tem sido apresentado pelo governo estadual.


Novas manifestações estão previstas para hoje. Conforme deliberação da Assembleia de estudantes realizada no final da tarde de ontem, hoje ocorrerá um novo Ato pela redução do preço das passagens e contra a violência policial. A concentração será às 17 horas, em frente ao Teatro Universitário, na UFES.


Luciana Silvestre Girelli – Jornalista da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (ADUFES)




Confira os vídeos.


De manhã, em frente ao Palácio do governo, no Centro de Vitória:

De tarde, na Ufes:

À noite, na Avenida Cesar Hilal, próximo à 3ª ponte. 



Reportagens:

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"JUVENTUDE, VIOLÊNCIA SIMBÓLICA E CORPO: DESVELANDO RELAÇÕES DE PODER NO COTIDIANO ESCOLAR"


Resumo
Este trabalho objetiva investigar as relações entre juventude, padrão do corpo perfeito e violência simbólica no ambiente escolar, relações que merecem atenção, principalmente se forem levados em consideração os constantes esforços da mídia em reforçar os modelos de “corpo perfeito”, excluindo todos os que fogem à “fôrma”. Privilegia a discussão do corpo na perspectiva da cultura, numa abordagem antropológica, visando a perceber a relação desse corpo com os processos de sociabilidade juvenil, no ambiente escolar, sobretudo sua relação com a manifestação da violência. Toma como sujeitos da pesquisa jovens alunos(as) das três séries do Ensino Médio Básico, de uma escola da Rede Pública Estadual da cidade de Vitória/ES. Adota um estudo de caso do tipo etnográfico, combinando as seguintes técnicas para coleta dos dados: aplicação de questionário, observação, registro minucioso em diário de campo, grupos focais e entrevistas individuais semiestruturadas. Observa que jovens são cotidianamente discriminados(as), ridicularizados(as) e rejeitados(as), sobretudo pelos(as) próprios(as) colegas, por não se encaixarem nos padrões de corpo perfeito. Constata que esse processo de discriminação é reforçado pela escola e pelos(as) profissionais que lá estão quando negligenciam tal conduta, quando não problematizam ou mesmo quando não dão o atendimento adequado aos sujeitos vítimas de tais exclusões, permitindo que atitudes dessa natureza se repitam continuadamente. Constata ainda que as estratégias utilizadas por esses(as) jovens são bem variadas: há os(as) que se isolam na tentativa de se tornarem invisíveis aos olhos alheios, os(as) que agridem, os(as) que levam na brincadeira e há também quem não aguente a pressão e prefira abandonar a escola. Dialoga com os(as) seguintes autores(as): José Machado Pais, Mario Margulis, Luiza Mitiko Yshiguro Camacho, Juarez Dayrell, Pierre Bourdieu, Marilena Chaui, Michel Foucault, Claude Fischer, José Carlos Rodrigues, Everardo Rocha, entre outros(as).

Palavras-chave: Jovens. Escola. Violência simbólica. Corpo.

Veja a dissertação completa acessando o link:
http://www.ppge.ufes.br/dissertacoes/2010/FABIOLA%20DOS%20SANTOS%20CERQUEIRA.pdf